Como estruturar um roteiro

· Roberto Sirolo · 3 min de leitura

Quem chega ao roteiro vindo do romance costuma trazer o hábito de pensar em capítulos de duração livre. No roteiro a estrutura é mais rígida, não por capricho, mas porque cada página corresponde mais ou menos a um minuto de tela: a estrutura não é só narrativa, é também uma estimativa do tempo que aquela história vai ocupar.

Os três atos não são três partes iguais

O modelo mais difundido, principalmente para o longa-metragem, divide a história em três atos: não três segmentos de duração igual, mas três blocos funcionalmente diferentes. O primeiro ato apresenta o mundo e lança a história rumo a um acontecimento que quebra o equilíbrio inicial. O segundo, o mais longo, desenvolve o conflito através de obstáculos crescentes. O terceiro resolve a tensão acumulada.

Conhecer esse esquema ajuda a se orientar, mas aplicá-lo como uma grade rígida — "na página 25 tem que acontecer X" — é um erro tão comum quanto fácil de evitar: o esquema descreve uma função dramatúrgica, não um número de página universal.

Os pontos de virada importam mais do que as proporções

O que realmente sustenta um roteiro não é seguir proporções exatas entre os atos, mas ter pontos de virada claros: momentos em que a história muda de direção de um jeito que o público percebe com clareza. Um primeiro ato que termina sem um acontecimento que obrigue o protagonista a agir deixa um roteiro sem motor, não importa quantas páginas tenha.

Uma série não é um filme mais longo

Quem escreve para uma série e aplica mecanicamente a estrutura em três atos de um filme costuma produzir episódios que parecem fragmentos mal cortados. Uma série tem uma estrutura em dois níveis: o arco do episódio individual, que precisa se fechar com sua própria lógica, e o arco da temporada, que atravessa vários episódios e se resolve muito mais tarde. Um episódio pode terminar propositalmente numa tensão não resolvida, algo que um filme raramente pode se dar ao luxo de fazer.

A cena é a unidade de trabalho, não a página

Como no teatro, cada cena de um roteiro precisa justificar sua presença: fazer a trama avançar, desenvolver um personagem, ou as duas coisas. Diferente do romance, o roteiro não tem descrição interior para sustentar uma cena fraca: se a ação não muda nada, a cena já parece vazia na leitura, bem antes de chegar à tela.

Mantendo atos, cenas e revisões juntos

Um roteiro costuma ser reescrito em blocos inteiros quando um ponto de virada muda de lugar, e cada mudança arrisca desalinhar as cenas ao redor. Ter uma estrutura em atos e cenas que dá para reordenar sem perder o texto, e um histórico de versões para comparar uma reescrita com a anterior, é o que a NovLore oferece a quem escreve para a tela com o mesmo rigor que dedicaria a um romance.

Perguntas frequentes

A estrutura em três atos vale para qualquer gênero?

É o modelo mais difundido e mais ensinado, mas não o único: alguns gêneros e alguns autores se afastam dele de propósito, principalmente no cinema autoral ou em séries de estrutura não linear. Vale a pena conhecê-lo antes de fugir dele, não ignorá-lo de cara.

Quantas páginas um roteiro deve ter?

Para um longa-metragem, a referência mais comum é cerca de uma página por minuto de duração prevista, mas varia conforme o gênero e o formato. Para uma série, a extensão depende do formato de episódio definido pela produção, não de uma regra fixa.

Preciso escrever o roteiro na ordem dos acontecimentos?

Não: muitos roteiristas escrevem primeiro as cenas mais claras na cabeça, muitas vezes os pontos de virada, e preenchem o resto depois. O importante é ter uma estrutura que registre a ordem final, independentemente da ordem em que foi escrita.

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O NovLore é o estúdio de escrita onde a estrutura e o texto de uma obra longa — romance ou roteiro — vivem no mesmo lugar.