Como estruturar uma tese

· Roberto Sirolo · 6 min de leitura

Seja qual for o nome que o seu curso dá a esse trabalho final — tese, TCC, monografia, dependendo da instituição —, os primeiros dias costumam ir todos para caprichar num sumário perfeito, e os meses seguintes para descobrir que ele já não aguenta. Isso não é um erro de planejamento: é quase inevitável, porque no início você ainda conhece pouco o tema para fixar uma estrutura definitiva. O problema não é ter um sumário que muda, é não saber lidar com ele enquanto muda.

Um sumário provisório não é uma promessa

Muita gente trava antes mesmo de começar porque trata o primeiro sumário como um contrato: se eu mudar, é porque estou fazendo algo errado. É o contrário: um sumário escrito numa tarde, com capítulos esboçados numa linha cada, serve só para dar uma ordem de partida a um trabalho que nessa altura você ainda conhece pouco. O momento em que você o reescreve — muitas vezes mais de uma vez, quando a pesquisa toma um rumo diferente do imaginado — não é uma falha de planejamento: é sinal de que você está realmente trabalhando o conteúdo, não só a forma.

O risco real não é mudar de sumário, é nunca fixar um cedo o suficiente para conseguir começar a escrever alguma coisa.

O esqueleto comum, e por que ele não é uma lei

A maioria das teses — sobretudo as que têm um componente experimental ou empírico — se apoia num esqueleto reconhecível: introdução, revisão da literatura ou referencial teórico, metodologia, resultados ou análise, discussão, conclusão. Conhecê-lo ajuda porque tira uma decisão do caminho: você não precisa inventar uma ordem do zero.

Mas é um esqueleto, não uma lei. Uma tese de viés teórico ou crítico, comum em muitas áreas das humanidades, muitas vezes não tem um capítulo de "resultados" separado da "discussão": o argumento se constrói capítulo a capítulo, e é normal que a estrutura pareça mais um ensaio longo do que um relatório experimental. Qual dos dois esquemas se aplica ao seu trabalho depende da área e muitas vezes dos hábitos do seu orientador ou orientadora, mais do que de uma regra escrita em algum lugar: vale a pena perguntar diretamente, em vez de supor o esquema visto na última tese que você leu.

O equilíbrio entre os capítulos importa mais do que a extensão total

Quem se concentra só no número de páginas acaba muitas vezes com um primeiro capítulo enorme — porque é o que se escreve com mais tempo e menos ansiedade — e um último capítulo esboçado nas últimas duas semanas. O resultado se nota à primeira vista até para quem não conhece o tema: uma tese desequilibrada comunica, antes mesmo de ser lida, que as últimas fases do trabalho foram feitas com pressa.

Não existe uma proporção universal válida para todos os cursos: quanto cada parte deve pesar depende do regulamento do seu curso e muitas vezes de indicações diretas do orientador ou orientadora, então evite perseguir porcentagens encontradas na internet. O que você pode controlar é perceber o desequilíbrio a tempo: se um capítulo está chegando ao dobro dos outros, é a hora de se perguntar se ele contém material que pertence a outro lugar, não de continuar escrevendo em cima.

Você não precisa escrever os capítulos na ordem em que serão lidos

A introdução é o capítulo que se lê primeiro e quase sempre o que compensa escrever por último, ou pelo menos reescrever por último: é o ponto em que você declara o que o trabalho demonstra, e antes de ter escrito o resto você só sabe isso em parte. O mesmo costuma valer para o capítulo de metodologia, que muita gente acha mais fácil de encarar primeiro justamente porque exige menos interpretação: é a parte mais próxima de um relato do que você fez do que de um argumento a construir.

Escrever fora de ordem não é uma forma errada de proceder: é quase sempre a mais realista. O importante é que o sumário mantenha o registro de onde você chegou, capítulo a capítulo, para que a ordem de escrita continue sendo uma escolha sua e não acabe se confundindo com a ordem final do trabalho.

O capítulo-gaveta: quando um pedaço não encontra lugar em canto nenhum

Quase toda tese longa acaba acumulando material que não encaixa bem em nenhum capítulo: uma digressão teórica interessante mas lateral, uma comparação com um caso que não encaixa totalmente no método escolhido, dados coletados que depois não são centrais para a pergunta de pesquisa. Tentar encaixar esse material à força no capítulo mais próximo é quase sempre o que deixa esse capítulo pesado e pouco focado.

A pergunta útil não é "onde é que eu coloco isso", mas "isso realmente serve ao argumento que estou construindo". Se a resposta for sim mas não no ponto esperado, muitas vezes ele encontra lugar num apêndice, onde não sobrecarrega o fluxo principal mas continua acessível a quem quiser se aprofundar.

Mantendo os capítulos coerentes enquanto a estrutura muda

Com um sumário que se reescreve várias vezes e capítulos trabalhados fora de ordem, o problema prático passa a ser manter tudo coerente: capítulos em arquivos diferentes, versões sobrepostas, a sensação de não saber mais qual é a última versão boa. É por isso que vale a pena trabalhar numa ferramenta que mantenha estrutura e texto no mesmo lugar: é o que o NovLore faz para quem escreve uma obra longa, romance ou tese — capítulos que podem ser reordenados sem perder o texto, e um histórico de versões para voltar atrás se uma reescrita se revelar um erro.

Perguntas frequentes

O sumário precisa ser aprovado pelo orientador antes de você começar a escrever?

Depende da instituição e muitas vezes dos hábitos de cada orientador ou orientadora: alguns pedem um rascunho formal antes de dar sinal verde, outros se contentam com uma conversa informal. Não existe uma regra válida em todo lugar: confirme diretamente com quem orienta ou com o regulamento do seu curso, em vez de supor.

Quantas páginas cada capítulo deve ter?

Não existe um número válido para todos os cursos ou áreas: depende das indicações da sua instituição e do tipo de tese. Um sinal mais útil do que qualquer número é o equilíbrio interno do seu próprio trabalho: se um capítulo é muito mais longo que os outros sem um motivo ligado ao seu conteúdo, esse é o ponto a revisar.

É normal mudar de tema ou de abordagem no meio da tese?

Acontece com mais frequência do que se pensa, principalmente quando a pesquisa traz à tona algo que o sumário inicial não previa. Não é um problema em si; o problema é não atualizar a estrutura de acordo, continuando a escrever segundo um sumário que o trabalho já superou.

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O NovLore é o estúdio de escrita onde a estrutura e o texto de um trabalho longo — romance ou tese — vivem no mesmo lugar.