Extensão e ritmo por faixa etária
Na ficção infantojuvenil a extensão não é um detalhe a acertar no fim: um livro demasiado longo para a sua faixa tem dificuldade em encontrar editor, e sobretudo em encontrar o leitor, que o abandona a meio. Mas perseguir um número de palavras é a maneira errada de enfrentar o problema. A extensão certa é a que vem de um ritmo calibrado na idade.
As extensões típicas, para se orientar
São indicações de mercado, não regras. Os primeiros leitores (6-8 anos) ficam abaixo das 10.000 palavras, muitas vezes bem abaixo. O middle grade (9-12) corre de norma das 25.000 às 55.000, com a maioria dos títulos à volta das 40.000. O young adult situa-se entre as 55.000 e as 90.000, com a fantasia a poder subir mais.
Estes números servem para saber se se está no campo certo. Um middle grade de 80.000 palavras deve olhar-se com suspeita: contém quase sempre um enredo secundário a mais ou cenas que se poderiam apertar.
O capítulo breve como unidade de respiração
Quanto mais se desce na idade, mais se encurta o capítulo. Num middle grade um capítulo de 1.500-2.500 palavras é a norma, e cada capítulo fecha num pequeno gancho que faz virar a página. O capítulo breve dá ao jovem leitor uma sensação de avanço: "terminei outro", e é um prémio que convida a continuar.
No young adult os capítulos podem alongar-se, mas a lógica do gancho no fecho mantém-se.
O ritmo de cena: quanto tempo se está parado
A diferença mais nítida em relação à ficção adulta é quanto tempo se pode estar parado. Num romance adulto uma cena pode abrir com duas páginas de descrição e reflexão antes de acontecer algo. Num middle grade esse espaço é de poucas linhas: a cena tem de ter cedo um movimento, uma fala, uma mudança.
Não significa ação contínua. Significa que cada cena, mesmo a calma, tem uma pequena progressão — alguém quer algo, algo o obstaculiza — e não fica suspensa na pura atmosfera.
O início tem de se mover mais cedo
O primeiro capítulo de um livro infantojuvenil tem menos margem do que o de um romance adulto. O jovem leitor concede poucas páginas, e nessas páginas tem de encontrar o protagonista, entender o que lhe importa, e ver o primeiro sinal de que algo está prestes a mudar. As páginas de preparação — a vida normal contada longamente antes do incidente desencadeador — têm de se reduzir ao mínimo.
Cortar é mais difícil do que escrever
Quase todos os primeiros manuscritos infantojuvenis são demasiado longos. A revisão, aqui, é sobretudo subtração: cenas que repetem uma função já cumprida, personagens secundárias que se podem fundir, diálogos que andam à volta antes de chegar ao ponto. Cada cena tem de ser posta à prova com uma pergunta: se a tiro, o leitor perde algo necessário? Se a resposta é "não", em geral tira-se.
Medir a extensão à medida que se avança
Dar-se conta, com o rascunho terminado, de que o livro é o dobro da sua faixa obriga a uma revisão dolorosa. Ficar de olho na contagem enquanto se escreve — por capítulo e total — permite corrigir o rumo mais cedo. No NovLore a estrutura do livro mostra a contagem de palavras capítulo a capítulo e o total, para que se veja logo quando um capítulo cresceu fora de medida ou o livro está a sair da faixa.
Perguntas frequentes
O meu middle grade está nas 60.000 palavras: é um problema?
Está no limite alto. Não é desqualificante, mas vale a pena reler à procura do que se pode tirar: um enredo secundário, um par de cenas de ligação, as partes descritivas mais longas. Levá-lo para as 50.000 torna-o mais fácil de propor e muitas vezes mais ritmado.
Os capítulos devem ser todos da mesma extensão?
Não, e alguma variedade ajuda o ritmo: um capítulo muito breve depois de vários capítulos cheios cria uma aceleração. Mas na ficção infantojuvenil convém que nenhum capítulo seja muito mais longo do que a média, porque é aí que o jovem leitor se cansa.
Como regulo o ritmo se o livro está a cavalo entre middle grade e young adult?
Decide a faixa antes de trabalhar o ritmo. Se apontas ao young adult podes permitir-te cenas mais lentas e capítulos mais longos; se apontas ao middle grade encurtas ambos. Manter um ritmo "a meio" costuma significar não satisfazer nenhum dos dois leitores.