Voltar a escrever depois de uma longa pausa

· Roberto Sirolo · 3 min de leitura

Um emprego novo, uma mudança de casa, um período difícil, ou simplesmente a vida. O manuscrito ficou parado durante meses, às vezes anos. Agora gostavas de o retomar, mas reabrir o ficheiro dá ansiedade: não te lembras bem do que acontecia, os primeiros capítulos parecem escritos por outra pessoa, e recomeçar do zero quase parece mais simples. Não é. Voltar a escrever depois de uma pausa é uma passagem comum, e enfrenta-se com método.

A pausa não é um fracasso

Muitos livros acabados atravessaram longos períodos de silêncio. Interromper não significa não ter jeito para escrever. Pelo contrário, a distância tem uma vantagem concreta: olhas para o texto com olhos novos e vês problemas e qualidades que antes, demasiado perto, não notavas.

O primeiro passo é tirar ao regresso o peso da culpa.

Relê sem corrigir

A tentação, ao reabrir o manuscrito, é pôr-se logo a arranjar. Resiste. A primeira releitura serve apenas para voltar a entrar na história: reencontrar as personagens, o tom, o ponto onde tinhas chegado.

Se vires problemas, anota-os à parte, sem intervir. Se te puseres a corrigir a partir do primeiro capítulo, arriscas-te a passar semanas a polir o início sem nunca chegares ao ponto onde paraste.

Reconstrói o mapa

Depois da releitura, escreve em poucas linhas:

  • onde chegou a história;
  • o que quer o protagonista neste momento;
  • que fios estão abertos;
  • para onde achavas que o livro ia, e se ainda o achas.

Este mapa permite-te recomeçar sem teres de guardar tudo na cabeça, e mostra-te se entretanto a tua ideia do livro mudou.

Recomeça por uma cena fácil

Não recomeces pelo capítulo mais difícil. Escolhe uma cena que tens clara, que te diverte, mesmo que não seja a que vem logo a seguir no livro. O objetivo dos primeiros dias não é avançar no enredo, é recuperar a mão: a voz das personagens, o ritmo das frases, o prazer de estar dentro da história.

Sessões curtas, no início

Depois de uma longa pausa, prometer três horas por dia é a forma mais segura de voltar a parar. Mais vale vinte minutos, todos os dias ou quase, nas primeiras semanas. As sessões curtas baixam a fasquia para começar e reconstroem o hábito antes da ambição.

E se o livro já não te convencer?

Pode acontecer que, ao reler, o projeto já não te represente. Antes de o abandonares, pergunta-te se é mesmo a história que não funciona ou apenas a distância que te faz senti-la estranha. Muitas vezes bastam alguns dias de trabalho para recuperar o interesse.

Se, pelo contrário, o livro mudou dentro de ti, não tem de ir para o lixo: às vezes tem de ser repensado, conservando as personagens ou a ideia central e mudando o resto.

Na NovLore

A estrutura do livro, com os capítulos por ordem, ajuda a encontrar depressa o ponto onde tinhas chegado. Se decidires mexer em partes já escritas, guarda antes uma versão a partir do histórico: recomeçar é mais fácil quando nada do que escreveste corre o risco de se perder.

Perguntas frequentes

Tenho de reler o manuscrito inteiro antes de recomeçar?

Se for curto, sim. Se for muito longo, podem bastar os últimos capítulos e um mapa do resto. O importante é recuperar o tom e saber onde estás.

E se já não me lembrar dos pormenores das personagens?

É o momento certo para os anotar: nomes, idades, relações, traços físicos, o que aconteceu a cada uma. Vai servir-te também para a revisão, e evita incoerências.

Quanto tempo leva a recuperar o ritmo de antes?

Normalmente algumas semanas de sessões regulares. Os primeiros dias são os mais custosos; depois a história volta a fluir, muitas vezes mais depressa do que esperavas.

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O NovLore é o estúdio de escrita onde a estrutura e o texto da tua obra vivem no mesmo sítio.