O método de pesquisa: das fontes ao guião

· Roberto Sirolo · 4 min de leitura

O momento mais perigoso de uma tese não é a página em branco final: é a fase de pesquisa que se alonga sem fim, em que cada artigo lido cita outros três, e a sensação de "ainda não saber o suficiente para começar a escrever" cresce em vez de diminuir. A pesquisa não é uma fase que precede a escrita: as duas têm de ser entrelaçadas desde o início.

A pergunta de pesquisa antes da bibliografia

Antes de acumular fontes, é preciso uma pergunta — mesmo provisória, mesmo imperfeita — a que a tese tentará responder. Sem ela, todo o texto parece relevante, porque não há um critério para dizer o que é e o que não é.

A pergunta afina-se lendo, mas tem de existir em forma esboçada desde o primeiro dia: "como X influi em Y no contexto Z" já basta para orientar as primeiras leituras e descartar o que, por mais interessante que seja, não serve a este trabalho.

Ler por temas, não por fontes

O erro clássico ao tirar apontamentos é organizá-los por fonte: um resumo por cada artigo, por ordem de leitura. Quando chega o momento de escrever, uma pessoa encontra-se com vinte resumos e nenhuma estrutura.

O método mais útil é tirar notas por tema: criar desde o início as entradas temáticas que se tornarão as secções da tese — "definições do conceito", "posições a favor", "críticas", "estudos de caso" — e colocar cada citação e cada ideia sob a entrada certa, com a referência precisa à fonte. No fim da leitura, o guião está já em grande parte construído.

Distinguir fontes primárias e secundárias desde o início

Cada disciplina tem a sua distinção entre fontes primárias (os dados, os textos originais, as obras de que se fala) e secundárias (quem escreveu sobre elas depois). Saber que peso dar a cada categoria evita construir uma argumentação inteira sobre uma leitura em segunda mão quando a fonte direta estava disponível.

Anotar, ao lado de cada referência, se é primária ou secundária e quanta autoridade tem na tua disciplina é um trabalho de poucos segundos que se paga na fase de escrita, quando tens de decidir o que citar para sustentar um ponto.

A pesquisa que mata a escrita

Há um ponto em que continuar a ler já não acrescenta clareza, mas retira-a: acumulam-se posições contraditórias sem se conseguir tomar uma direção. O sinal é que as novas leituras confirmam coisas que já sabes, ou acrescentam nuances que não mudam a estrutura da tese.

Nesse ponto convém parar e escrever um primeiro rascunho de um capítulo, mesmo imperfeito: escrever revela os buracos reais da pesquisa — os que se preenchem com leituras dirigidas — muito melhor do que continuar a ler em geral.

Manter juntas notas, citações e capítulos

O problema prático da pesquisa é a dispersão: apontamentos num ficheiro, citações noutro, rascunhos dos capítulos num terceiro, e a referência exata a uma fonte que desaparece justamente quando é precisa para a bibliografia. Manter as notas temáticas ao lado da estrutura em capítulos, com as referências às fontes ligadas ao ponto em que as usarás, reduz o tempo perdido a reconstruir onde tinhas lido determinada coisa. No NovLore a estrutura do trabalho em capítulos e secções vive no mesmo sítio que o texto, e o assistente de IA continua opcional: podes usá-lo para reformular uma passagem ou resumir uma fonte, ou não o usar de todo e tê-lo só como estrutura de trabalho.

Perguntas frequentes

Quanto devo ler antes de começar a escrever a tese?

Menos do que a fase de pesquisa tende a fazer crer. Um critério prático: quando consegues escrever numa frase a pergunta a que a tese responde, e enumerar as três ou quatro posições principais da literatura sobre o tema, tens o suficiente para esboçar o guião e começar um capítulo. O resto das leituras serve para preencher buracos concretos que surgem escrevendo.

Como organizo os apontamentos de pesquisa?

Por tema, não por fonte. Cria as entradas temáticas que se tornarão as secções do trabalho e coloca cada citação e cada ideia sob a entrada pertinente, com a referência bibliográfica completa. Assim, quando começas a escrever, a estrutura está já em grande parte pronta.

A bibliografia constrói-se no fim?

Não, constrói-se à medida. Registar cada fonte em forma completa no momento em que a lês, em vez de adiar, evita a caça final às referências em falta, que é uma das causas mais comuns de stress nas últimas semanas antes da entrega.

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O NovLore é o estúdio de escrita onde a estrutura e o texto de um trabalho longo — romance ou tese — vivem no mesmo sítio.