Que ferramentas precisas para escrever um romance

· Roberto Sirolo · 5 min de leitura

Quem escreve um conto curto não precisa de nada de especial: qualquer processador de texto chega e sobra. O problema começa a manifestar-se por volta das 20.000-30.000 palavras, quando manter tudo na cabeça deixa de funcionar: já não te lembras em que ponto do enredo estás, que idade deste a uma personagem secundária, ou qual a versão boa de uma cena. A partir daí, a ferramenta deixa de ser indiferente.

As três funções que resolvem problemas reais

Deixando as modas de lado, quem escreve romances longos precisa concretamente de três coisas, e valem a pena seja qual for o software escolhido:

  1. Uma vista da estrutura de relance — uma árvore de capítulos, um quadro de cenas, ou até um índice bem feito: algo que responda em três segundos à pergunta "onde estou, em relação ao livro inteiro?". Sem esta vista, reorganizar a ordem dos capítulos exige reabri-los um a um.
  2. Um sítio para os dados de continuidade — nome, idade, aspeto, relações de cada personagem; geografia e regras do mundo; uma linha do tempo dos acontecimentos. Não precisa de ser sofisticado: só tem de estar acessível sem deixares de escrever, ou acaba por nunca ser consultado.
  3. Um histórico de versões — a possibilidade de voltar a uma versão anterior de um capítulo sem teres de manter dez ficheiros com nomes do tipo "capitulo3_v2_FINAL_mesmo.docx". É a função que elimina o medo de reescrever, que é a causa mais comum de procrastinação na revisão.

O que acontece sem estas três funções

O sintoma mais comum de quem escreve um romance longo num editor genérico não é a falha ou a lentidão: é o tempo gasto a reconstruir o contexto em vez de escrever. Antes de cada sessão relê-se o capítulo anterior para lembrar onde se ficou, percorre-se um documento de notas à parte para verificar um pormenor sobre uma personagem, abre-se uma pasta com versões antigas para perceber se aquela frase já tinha sido mudada.

Nenhum destes passos é escrita. São todos custos de coordenação que uma ferramenta pensada para romances longos elimina ou reduz a uma pesquisa instantânea — e que se somam, sessão após sessão, em meses de trabalho perdidos a orientar-se em vez de a escrever.

O que NÃO é preciso, mesmo sendo cómodo

Nem todas as funções que as ferramentas de escrita propõem resolvem um problema real da escrita. Algumas são agradáveis sem mudarem nada no resultado final:

  • Contadores de palavras com metas diárias — úteis para a motivação de alguns, mas não resolvem nada quanto à qualidade ou coerência do romance.
  • Modo "máquina de escrever" ou efeitos sonoros — questão de gosto pessoal, sem influência na estrutura do trabalho.
  • Estatísticas de legibilidade genéricas (índices de leitura e afins) — pensadas para textos técnicos ou informativos, dão indicações pouco úteis sobre prosa narrativa, onde o ritmo e a variedade contam mais do que a simplicidade média da frase.

Não há nada de errado em usá-las se agradam. O que importa é não as confundir com as três funções acima, essas sim, capazes de mudar de facto quanto tempo custa escrever um romance longo.

Um caso concreto: como está organizada a NovLore

Para tornar o discurso menos abstrato, vale a pena ver como estas três funções se traduzem na prática numa ferramenta pensada de propósito para romances. Na NovLore correspondem a três painéis distintos mas acessíveis sem sair do editor: a Estrutura mostra a árvore de capítulos e permite reordená-los; o Painel reúne personagens, lugares, objetos, notas e cronologia de acontecimentos em fichas consultáveis enquanto se escreve; o Histórico de versões grava automaticamente cada capítulo e conserva as suas capturas, para que voltar atrás não exija lembrar em que ficheiro estava a versão boa.

Não é a única forma de organizar estas três funções — outras ferramentas distribuem-nas de modo diferente — mas o princípio por baixo é o mesmo onde quer que funcione bem: as três coisas têm de estar a um clique do editor, não num programa à parte que interrompe a escrita para ser consultado.

Como escolher, na prática

Antes de avaliar uma ferramenta para um romance longo, a pergunta útil não é "quantas funções tem", mas, para cada uma das três áreas acima: esta função poupa-me mesmo tempo de coordenação, ou é só interessante de ver? Uma ferramenta com dez funções das quais sete decorativas não vence uma ferramenta com três funções bem feitas em estrutura, continuidade e versões.

Perguntas frequentes

É preciso uma ferramenta dedicada mesmo para um primeiro romance?

Não é indispensável desde a primeira página, mas o momento em que compensa mudar é previsível: assim que se começa a perder tempo a procurar informação já escrita noutro lado — um nome, uma data, uma versão anterior de uma cena. Esperar demasiado significa migrar um romance já longo, o que é mais trabalhoso do que começar logo na ferramenta certa.

Vale a pena usar várias ferramentas ao mesmo tempo (uma para a estrutura, outra para o texto)?

Na maioria dos casos não: o custo de manter dois instrumentos sincronizados — copiar nomes, atualizar a estrutura em dois sítios — supera o benefício das funções especializadas de cada um. Uma ferramenta única, mesmo menos especializada num único aspeto, costuma vencer no tempo total.

O ditado por voz é uma ferramenta útil ou só uma moda?

É útil por um motivo concreto e pouco falado: muitos bloqueios de escrita nascem do confronto imediato com a página em branco que se enche lentamente. Ditar separa a geração das ideias da sua escrita, e para alguns autores isso basta para desbloquear sessões que de outra forma parariam ao fim de poucas linhas.

Uma folha de cálculo pode substituir um painel de personagens dedicado?

Tecnicamente sim, e para um elenco pequeno pode chegar. O limite surge com a escala: uma folha de cálculo não é acessível de dentro do editor enquanto se escreve uma cena, por isso exige mudar de janela sempre — exatamente o custo de coordenação que um painel integrado elimina.

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O NovLore é o estúdio de escrita onde a estrutura, as personagens, o enredo e o texto do teu romance vivem no mesmo sítio.